Vazio agudo

Eu odeio multidões. Rasgo-me ao meio, investigo cada centímetro meu. Não há nada aqui, nada que a faça querer ficar. Não há nada interessante que a faça querer ficar. Desperdício. Minha existência. Sim, é isso.


A porta está aberta, querida. Vá, deixe os cigarros. Estou acabando, olhei cada centímetro aqui dentro e não há nada mais. Aquele livro de capa dura que me dei leve-o daqui. Não li, não me interessa. É só outra história triste. Odeio histórias tristes.


Estou acabando. Sim, estou acabando. Investiguei cada centímetro aqui dentro, estou por um fio e não há nada de interessante que a faça querer ficar. Sou, certamente, um desperdício. Vá, não chore. Saia, a porta está aberta. Ande, atravesse-a antes que também… Espere, aquela sua foto está radiante, você combina com a natureza oi ela combina com você, não sei. Agora apresse-se, vá. Leve o guarda-chuva, chove lá fora. Tome cuidado. Não há nada aqui que a faça querer ficar.


É o vazio que me habita. Sou eu quem habita o vazio. Não há nada de interessante aqui. Vá, não volte a deixar bilhetes por baixo da porta. Não irei ler. Não há nada de interessante aqui.

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